Como escrever sem vontade? + Playlists para escrever

Às vezes estou tão inspirado com o nascimento de um nova história, quando já sei o ritmo que agitará o leitor, que fica fácil escrever parágrafos de tirar o fôlego - e que não me cansam, de tão fluidos. Outras vezes o cenário não é otimista: estou zerado de inspiração, sem nenhuma vontade de escrever. Soa familiar para você?

Como você escreve quando não consegue escrever, Enrique?

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Eu mudo meu humor - mesmo que seja só para escrever.

Tento "ajustar" meu humor para o tipo de coisa que preciso escrever através de gatilhos simples, como colocar um filme de terror com narrativa similar com a que quero usar no livro. Conforme o filme passa, fico menos ansioso, e quando vejo, já estou inspirado e doido para escrever coisa nova.

Às vezes música é um gatilho ainda mais simples. Preparo playlists com antecedência usando canções que expressam a atmosfera necessária para o que eu quero criar. Por contagiar o corpo inteiro, a "trilha sonora da criatividade" empurra o cérebro para produzir nessa linha. Sou viciado em playlists! Tenho uma categoria aqui no site apenas sobre isso.

Tenho momentos de preferir músicas com vozes em vez de instrumentais, mas isso muda constantemente e eu curto misturar tudo com a mesma energia num lugar só. Atualmente estou ouvindo muito o álbum "Blond" do Frank Ocean, e sempre muito Death Cab for Cutie. Por falar inglês, consigo aproveitar a poesia das letras. Sob o feitiço dos instrumentos e com um par maneiro de fones de ouvido, sento para escrever e assim vou por horas.

Experimente se quiser, é bem legal. Se nada funcionar, dê alguns dias, se afaste dos escritos e viva alguma experiência legal. O bloqueio vai embora.

Playlists testadas e aprovadas

Músicas para escrever

Essa playlist tem as músicas que ouço toda vez que preciso me inspirar com alguma letra foda, melodias cinematográficas ou estéticas muito particulares. No Spotify:



Infelizmente o Deezer não tem várias das músicas nessa playlist :(


Os Hereges de Santa Cruz, Vol 1

Para escrever algo obscuro e moderno no Spotify:



Para escrever algo obscuro e moderno no Deezer:



Um Gay Suicida em Shangri-la

Para escrever algo alegre e inspirador no Spotify:



Para escrever algo alegre e inspirador no Deezer:



Como escrever livro em 4 semanas

E para quem sonha em escrever um livro mas não sabe por onde começar - ou nunca consegue terminar -, comecei a postar toda quarta-feira uma aula no meu canal no YouTube, Enrique Sem H. Estou migrando as aulas do meu antigo canal com dicas para escritores, o Rancho dos Criadores, e quando a respostagem dessas 5 aulas acabar, mais conteúdo sobre escrita criativa dará as caras para nossa alegria!


"Organização", Aula 1 de 5



Acompanhe a playlist Para Escritores para não perder nenhuma aula nova ou vídeo sobre escrita criativa do canal!


10 músicas para fim de namoro gay

Migrar as indicações de músicas em playlists dos meus vídeos do YouTube para o blog todas as sextas é poupar tempo editando vídeos sobre algo que amo, mas que ficam limitados a um grupo pequeno de pessoas que divide meu "gosto musical". Também facilita para você, que quer mais música e menos blá blá blá.

Antes de mais nada

Toda sexta-feira teremos uma nova playlist temática aqui no site com players incorporados e links do Spotify e Deezer!

Em texto, vou comentar sobre cada faixa, desde curiosidades até o porquê de eu tê-las inserido nessa lista. Você já pode apertar o play, se quiser.

Playlist para fim de namoro gay

Por mais que o título dessa playlist soe rotulador, a razão de essa playlist existir é mais significativa que uma mera etiqueta: foi pedido de um inscrito do canal, o Silas, que está passando por um término e pediu uma playlist de vibe gay para explorar esse momento.

Entendo exatamente o que ele quis pedir pois eu, quando tinha meus 15 ou 16 anos, vivendo romances e já casado com a música como parceira de todos os crimes, busquei um monte de referências em bandas, artistas e cantores assumidamente gays ou que fizeram músicas que refletem a universalidade do amor dentro de um mundo que, a gente sabe, é extremamente preconceituoso.

Ter "artistas gays" foi bom para que eu não me sentisse sozinho. Num ponto da vida como o do Silas, com uma dor gigante e chata no peito, essa solidão pode ser ainda maior.

Como música cura tudo, aqui estamos nós.

Ouça no Spotify



Ouça no Deezer



Comentários faixa a faixa

1. "Beijos, Blues e Poesia", K-Sis

Quem não se apaixonou pelas gêmeas sapatônicas dos anos 2000 não curtiu a onda de choque na cara da sociedade quando "Beijos, Blues e Poesia" tocou em todas as rádios, explicitando o óbvio amor de uma menina por outra menina! É a trilha sonora ideal para uma vida de merda após o término — mesmo que só por um tempinho. Com tanta saudade na língua, eu não poderia escolher outra música para abrir essa listinha.

2. "Invented", Jimmy Eat World

"Invented" já me fez chorar pelos cotovelos, me obrigando a encarar a verdade de que eu inventei boa parte dos homens que amei. Esperei demais deles, fantasiei sobre a vida juntos e acabei me frustrando com a realidade — que sempre esteve ali, coitada.

Nessa música um cara diz para outro: "tudo bem se não sou uma bandeira que você gostaria de levantar", e gay ou não, a dor de ser uma bandeira abandonada cabe dentro de todo mundo em algum momento. Obra de arte essa, hein — e o resto do álbum de mesmo nome é bem maneiro também.

3. "Without You I'm Nothing", Placebo

Se quiser afundar no poço mas cansou da Adele, essa música da banda Placebo é sua. "Sem você não sou nada", diz o título, mas o que Brian Molko canta nos lembra que não é tão simples "ser um nada sem você". Sem você "sou um sujo, um libertino".

Não sou o tipo de pessoa que fica choramingando por cacos de carinho, você provavelmente sabe disso se assiste meus vídeos, mas quando a gente acaba de terminar com alguém que gostamos, parecer carente ou dependente é ser carente e dependente. Faz parte do percurso — ou do percalço.


4. "Saudade", Otto (com Julieta Venegas)

Levemente acelerada, "Saudade" chega sutilmente, com desejo de fazer sorrir —  só para não sobrar espaço para choro. A música inteira é feita de saudade, remete à saudade e, ao acabar, me deixa com saudade. É uma dor suportável e até poética se a gente sente sem prestar atenção conscientemente. Porém, no momento em que a gente se interessa demais, descobre que o carnegão desse furúnculo é muito mais profundo — consequentemente, bem mais doloroso.

5. "To Be Alone With You", Sufjan Stevens

A melodia dessa música é uma das que me arrepiam só de começar a tocar, mesmo anos depois de eu ter escutado pela primeira vez. Conheci Sufjan Stevens (se pronuncia "sufiên istívens") na série que cresceu comigo, The O.C., e desde que aceitei que essa música não é um diálogo de um homem com deus — mas sim de um homem desejando estar com outro a ponto de largar a própria esposa e família —, eu aprendi a ser mais feliz. É uma obra-prima para o coração.

6. "Eu Vou Fazer uma Macumba Pra Te Amarrar, Maldito!", Johnny Hooker

Cansou de chorar? Ouvir Johnny Hooker numa hora dessas, ainda mais sendo essa música — e sabendo canta-la —, expia tudo quanto é demônio de culpa, de raiva, de desejo, daquele turbilhão de sentimentos onde a gente troveja pro mundo que vai fazer e acontecer, mas não faz nada além de se xingar de estúpido estando completamente só. Não falei por experiência própriMENTIRA falei sim.

7. "Forrest Gump", Frank Ocean

Essa é outra canção muito especial para mim. Não só porque foi uma felicidade sem tamanho me identificar ainda mais com o Frank quando ele assumiu ser mais gay que bissexual no mundo barra-pesada que é esse do hip-hop e rap norte-americano, mas por ele grudar junto um monte de caquinhos nostálgicos do meu passado sem nem saber!

Sempre me imagino tendo um romance no ensino médio, algo que vou morrer sem ter experimentado — afinal, ser pré-adolescente gay no início dos anos 2000 foi ainda mais isolador da sociedade atualmente. Vejo saudade após maturidade, ação do tempo para curar a saudade. O que não impede em nada que as boas memórias ainda passeiem e inspirem os anos seguintes ao envolvimento.

8. "Summertime Sadness", Lana Del Rey

Por anos eu quis viver um romance de verão. Até o dia em que vivi. E não foi exatamente no verão — acho que foi no outono — mas o espírito é o mesmo: intenso, sexy, viciante e com final trágico. No meu caso, descobri que O Argentino tinha namorado que sabia de mim, e tudo parecia um jogo comigo, garota!

No caso da Lana, pelo clipe, parece que ela teve um tempo maravilhoso com outra menina, mas como toda estação, o clima mudou, o tempo acabou e as vidas seguiram em frente — para caminhos opostos. Profundo, hein.

9. "Ela e Eu", Maria Bethânia

Não sou o maior ouvinte de Bethânia no mundo, mas como meu namorado é apaixonado por ela, esbarrei necessárias vezes com essa diva brasileira que exala sedução sapatônica. Em "Ela e Eu" fica o dramalhão equilibrado de uma poesia cheia de classe usando todas as maravilhas do universo para deixar bem claro que nada, jamais, se comparará ao que ela teve com Ela.

10. "BLUE", Troye Sivan (com Alex Hope)

Troye Sivan é pica! Não tem menino mais veado que ele, tão descolado e maneirinho com voz doce e melodias popozônicas. "Blue Neighbourhood" é um álbum honesto (com parte das músicas escritas pela Alex Hope, que divide vocal com ele nessa música, "Blue") que faz um tour pela maturidade sexual de um moleque gay.

Nessa canção ele e a Alex dizem que fariam qualquer coisa para fazer com que a pessoa amada fique. Que esse relacionamento acabado é o pilar de quem eles acham que são e sem isso tudo parece estranho.

Se no lugar de Troye Sivan estivesse o Johnny Hooker, em vez de pedir para a pessoinha nem sair pela porta, nosso muso já teria roubado uma peça íntima e acendido uma vela vermelha na esquina.

Aprendam, crianças, como se faz.

Para superar essa bad 

Tenho alguns vídeos que podem te ajudar a desapegar desse fantasma cabuloso! Olha aí:

E é claro...

Não deixe de sugerir temas, indicar artistas e me seguir no Instagram, pois eu posto todas as novidades por lá.
Quando estiver melhor da dor de cotovelo, ouça essa playlist. ■

Aplicativos e programas para escritores

Apaixonado pela família Google de tecnologia, uso todos os aplicativos disponibilizados por eles e administro essa galera inteira ao mesmo tempo, usando uma só conta. É óbvio que isso mudou meus hábitos de organização criativa, desde liberar e utilizar melhor meu tempo escrevendo - me separando de afazeres domiciliares, por exemplo - a saber exatamente onde anotei aquela ideia maravilhosa para um livro novo.

Nesse post decidi trazer uma lista de apps e programas que possuem versões idênticas para computadores, smartphones e tablets, e que me ajudam a escrever, organizar ideias e acessá-las quando eu quero. Foi-se o medo de perder para sempre aquele manuscrito ou pedaço de guardanapo com uma inspiração genial.


Esses aplicativos permitem visualização e edição online, sincronizados em tempo real através da conexão com a internet, e edição offline - o que significa que você não precisa estar conectado à internet para continuar produzindo, anotando novas ideias, montando listas, colocando tudo em ordem e programando alarmes para não esquecer de nada. Nunca mais.

O xeque-mate para que eu migrasse do universo dos papéis para o mundo digital - a ponto de digitalizar todos os meus manuscritos e jogar a papelada fora - foi a capacidade ilimitada de renomear, etiquetar e encontrar em segundos todos os textos, notas ou ideias que eu já escrevi sem ocupar espaço no meu quarto ou escritório.

Sem falar que é praticamente impossível perder os arquivos, que ficam seguros em nuvem e copiados nas memórias dos dispositivos que utilizo. As medidas de segurança para recuperação de conta - e até do acesso a elas - também me satisfazem muito, então quando me abri para a tecnologia e experimentei, essa combinação deu muito certo para minha produtividade.

Apps para organização criativa de escritores

Google Docs

Google Docs é um aplicativo inserido no Chrome que pode ser "instalado" no computador e edita documentos em tempo real, de qualquer lugar, com edição offline. Substituiu o LibreOffice, meu editor de texto preferido até então, quando precisei escrever no tablet no período de mudança de casas em que fiquei sem computador.

Escrevendo no teclado Bluetooth, foi fácil permitir que meus livros nascessem numa tela pequena. Quando liguei o computador, continuei escrevendo de onde parei no tablet - e posso continuar a escrever no ônibus, usando o celular, atualizando o arquivo em todos os dispositivos na hora.

Google Keep

O mais novo na minha família de aplicativos Google, é como o Wunderlist (meu app de listas de afazeres e lembretes) e como o Pinterest ao mesmo tempo. É fácil de criar listas, galerias de imagens retiradas da internet ou do computador, lista de links, notas ou lembretes que sincronizam com o Inbox - aplicativo de e-mail da Google que substituiu o Gmail na minha vida. Ah, ele também permite etiquetar as notas e listas criadas para acessar facilmente pela aba de usuário, à esquerda.

Wunderlist

Wunderlist foi o aplicativo que mais usei na vida (também disponível offline pela instalação do Chrome com sincronia da conta Gmail). Uso o tempo inteiro para compartilhar de casa a lista de compras com meu namorado, esteja ele a caminho do mercado ou em outro lugar, ou para que nós acompanhemos a quantidade de tarefas que precisamos finalizar num determinado período de tempo.

Tem alarmes com lembretes, é organizado em pastas e listas com acesso na esquerda, e é fácil não se perder na semana usando o Wunderlist diariamente. Para mim, serve mais para organizar afazeres domésticos e dividir o tempo entre tarefas "de trabalho" e "de casa".

Drive

Essencial para a vida. É onde guardo tudo que desenvolvo ou preciso acessar de qualquer canto, em qualquer dispositivo (mesmo que não seja o meu) e crio cópias de segurança de tudo que envolve meu trabalho como escritor, youtuber e figura pública. Sem falar que o Drive se comunica com aplicativos Google como o Docs e permite compartilhamento com outros usuários através de um simples controle de privacidade. É o baú de tesouro do pirata.

Todos os apps apresentados possuem versões para Android e iOS e são iguaizinhos às versões para computadores
Imagino que outros aplicativos possam fazer esses serviços tão bem ou melhor que os serviços apresentados, mas encontrei uma rotina e ferramentas que funcionam perfeitamente para mim. Pode ser que pouco ou nada desse mundo digital sirva para você, mas vale tentar pelo período de uma semana, pelo menos. Não precisa largar a caneta e o papel. Na verdade, esses apps podem te auxiliar a colocar mais a caneta no papel e escrever, finalmente.

Ficar preso na casa de parentes sem ter nada para fazer a não ser escrever, vira uma memória carinhosa quando você loga no Docs e retoma sua história exatamente de onde parou - e que quando já estiver na paz do seu lar, poderá continuar novamente de onde parou, lá na casa dos parentes.

É uma ótima injeção para combater as desculpas que te "impedem" de escrever, pois com ou sem acesso à internet, há possibilidade de levar os originais para qualquer lugar do mundo, com segurança máxima e sem excesso de bagagem. 

Categorias dos Vídeos

Em outras palavras, "como encontrar tudo que você procura no canal Enrique Sem H do
YouTube". Sou bastante preocupado com a organização visual e lógica do canal — e se você já visitou a página principal do canal Enrique Sem H, já viu que todas as categorias estão listadas uma sobre a outra através de playlists.
Enrique Sem H
Playlists servem tanto para agrupar vídeos com temas similares quanto para permitir que você faça maratonas de todos os vídeos daquela categoria sem pausas e é uma das funcionalidades que mais salvaram meus sábados de tédio sem Netflix navegando pelo YouTube.

Montei esse post para falar um pouco de cada categoria do canal e para reunir todos os links das playlists de cada categoria num local de fácil acesso — meu próprio site, obviamente.

Categorias

Tema e categoria podem se confundir muito porque eu confundo bastante os dois, mas gosto de pensar que categoria é um tema mais abrangente, que agrupa diversos temas de vídeos juntos, enquanto o tema de vídeo é isso mesmo: o assunto do vídeo lançado.

As categorias principais do canal se dividem em oito:

Comportamento

A categoria "Comportamento" é onde reflito em público e trago aprendizados ou curiosidades sobre essa experiência louca que é ser humano.



Sexo e amor

A categoria "Sexo e Amor" trata de relacionamento, sexualidade e experiências safadas sem tabus!



Filmes e séries

A categoria "Filmes e Séries" traz listas temáticas com indicações cinematográficas para desperdiçar tempo e engordar alimentando o cérebro também.



Música

A categoria "Músicas" tem indicações de 10 músicas para situações ou sentimentos específicos e muitas bandas novas para conhecer.



Desafios

A categoria "Desafios" reúne todas as patetices realizadas sozinho ou com meus amigos. Tags incluídas.



Estilo de vida

A categoria "Estilo de Vida" tem vlogs, passeios e pensamentos acerca de minha rotina, comportamento e lazer no cotidiano.



Especiais

A categoria "Especiais" guarda homenagens, comunicados e vídeos que não se encaixam muito nas outras categorias.




Rancho dos Criadores

Conheça também meu canal para escritores, o Rancho dos Criadores.
Rancho dos Criadores Símbolo
Ele não é atualizado constantemente pois funciona como um "curso de verão", um baú de conteúdo para que eu compartilhe e registre minhas técnicas, processos de escrita criativa e editoração independente para mim e para quem quer lançar (ou ao menos escrever) os próprios livros.

A primeira série de cinco aulas se chama Como escrever livro em 4 semanas. Os vídeos de cada aula são curtos e te ajudarão a organizar as ideias, se inspirar e o principal: escrever. ■


Inspiração para livros: de onde vem?

Minhas histórias surgem de realidades paralelas que se diferenciam da nossa realidade por terem sido moldadas por outras possíveis ações do mundo real que não se concretizaram, além do que aconteceu. Precisei gastar um tempo para entender a diferença entre a inspiração que semeia meus enredos para as inspirações estéticas que afunilam a identidade de uma história específica.

Ficou difícil de acompanhar? Vou simplificar!
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Os Hereges de Santa Cruz, Vol. 1, meu primeiro livro de fantasia sombria.
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Desde muito pequeno que meu interesse por quadrinhos despertou a paixão louca pela amálgama meio literária, meio visual, de contar histórias. Somado a minha admiração pelo cinema, aos quatro ou cinco anos de idade eu estava adaptando filmes como Jurassic Park para gibis feitos de papéis A4 dobrados e grampeados ao meio, e coloridos com muito capricho.

Na faculdade, cheguei perto de concluir o curso de Design Gráfico por achar que tinha capacidade de produzir os meus próprios quadrinhos ou animações, fazer a diagramação dos meus livros e ser tudo que preciso para levantar minha carreira sozinho. A faculdade não deu muito certo para mim (falei disso nesse vídeo).

Escrever livros foi a melhor solução para saciar minhas necessidades criativas, já que não foquei em aprender a desenhar de verdade ou tive paciência de passar tantos perrengues para me tornar roteirista ou animador de algum estúdio. Passei a usar apenas texto porque através de vários tipos de narrativa, da estrutura do enredo ou do gênero que for, eu posso descrever absolutamente qualquer coisa

Dessa maneira, consigo descrever os filmes que passam na minha mente quando sou invadido pelas histórias. Não penso apenas em texto. Assisto o que crio e o que é criado sem meu consentimento feito cenas. Só preciso descrever de forma dinâmica e concisa — escolhendo com atenção as palavras, as pontuações e truques de diagramação para definir ritmo, entre outras coisas — e lapidando o que imaginei sem trancar as portas para a subjetividade do leitor — que preenche a "carne" da história usando a própria imaginação e bagagem individual.

Quando comecei a escrever a Série Literária Lado B, lá pelos 14 anos, toda a estética era uma inspiração da minha série de TV favorita da época, The O.C., remixada com a paixão por minha própria realidade morando no sub-bairro de Guaratiba: a Praia da Brisa.

A realidade paralela se estabelece quando, no mundo real, consigo imaginar como as coisas seriam diferentes se algo na história da humanidade nunca tivesse acontecido ou se meu vizinho de rua tivesse cruzado comigo no dia em que eu estava voltando aos prantos de Copacabana depois de terminar com um argentino por quem fui apaixonado e perguntasse "ei, o que houve?". O que nasceria desse encontro? Mil possibilidades! É por isso que não faltam histórias para eu contar…

Claro que ter muitas histórias para contar não significa que todas elas são “boas histórias” — ou ruins, necessariamente. Mas disso falaremos em algum instante do futuro, seja aqui no blog ou no meu canal no YouTube para escritores, o Rancho dos Criadores.

Lembro diariamente que inspiração não é nada sem ação e organização. Sem reservar um tempo para escrever todos os dias, eu nunca estaria preparado para aproveitar a inspiração ou maturá-la quando ela “surge”.
A única maneira de ter mais ideias e se tornar um escritor cada vez mais interessante, é escrevendo.
É o que separa aqueles que esperam “o momento certo” para escrever, que acabam nunca escrevendo muitas palavras, dos escritores de verdade. ■

Por que você escreve?

A pergunta no título desse post é uma das que eu mais respondo. Em eventos, palestras, na roda de amigos, na internet, todo mundo quer saber o porquê de eu escrever. Só que para facilitar a explicação do porquê, entender antes o que escrever significa para mim pode ser mais interessante.

Desde que lembro de mim, eu gosto de histórias. Cresci imaginando mundos, assistindo muitos filmes, séries que passavam na TV, lendo quadrinhos da DC Comics pra caralho, ouvindo rock o tempo todo e fui estimulado por minha mãe a desenhar, pintar, criar.

A criatividade, a praticidade de não só pensar, mas fazer, me levou a experimentar todo tipo de arte para contar as histórias que eu imaginava com um leque tão grande de inspiração cultural. Basicamente norte-americana, pois cresci na geração da internet e falar inglês foi essencial para que minha curiosidade recebendo tanta informação da rede fosse sanada.

Escrever foi a expressão artística mais barata que eu pude acessar: você só precisa de uma superfície e algo pra escrever nela. Felizmente, além de mais barata, a escrita é a expressão que mais pode atender todas as necessidades de registro e criação das histórias em realidade paralelas que pululam no meu cérebro 24 horas por dia, sete dias por semana, incansavelmente.

Quando escrevo, estou criando espelhos de quem eu sou, do que experimentei, do que observei. Eu não sou uma pessoa só o tempo todo. Eu sou muitas coisas que eu não posso ser. Sou também um monte de coisas que ninguém precisa saber. Sou minha mãe e meu vizinho, e também sou a motorista do ônibus.

Esses centenas de Enrique se transformam em "almas" de personagens, como se um monte de sentimentos abstratos passassem por mim no momento em que me coloco a escrever. Me torno um deus ouvinte dessas almas, um tradutor onisciente.

Escrevo porque tenho a necessidade registrar esses mundos. De compartilhá-los com quem se interessar, inspirar outros a usarem esse poder de registro criativo, de crítica social, de discussão, mudança, educação. É uma necessidade egoísta e generosa ao mesmo tempo. É terapia. É minha carreira. É a coisa que mais gosto de fazer.

É quando eu falo de verdade. Até além do que eu esperava dizer.
É paz, mesmo que pareça guerra.

Por que saí de casa?



Depois do terror de aceitar minha própria decisão de morar longe da casa dos meus pais, houve paz.

Minha história de infância não é como a da maioria dos jovens da minha idade, que saem de casa por nunca terem encontrado dentro daquelas paredes um lar. Eu sempre tive um lar e pais que fizeram de tudo por mim. Aceitaram tudo de mim. Deram tudo por mim.

Ser gay, tomar uns gorós, fumar maconha, receber amigos em casa ou ser estranho do jeito que sou: nada disso foi um grande problema maniqueísta inspirado por moralismo falsificado. Assim como eu me adaptei às variadas pecualiaridas dos comportamentos deles, que são tão "imperfeitos" quanto eu, eles se esforçaram para fazer o mesmo por mim. Somando duas cadelinhas lindas nessa história, a Crystal e a Boneca, ficou fácil ter para onde querer voltar depois de uma festa. Ficou fácil chamar de melhores amigos os meus próprios pais.

Eu saí de casa por ter, justamente, nenhuma razão para fazê-lo.

Costumo ser muito crítico comigo e às vezes me pego lamentando por não ter sido "mais" aos 23 anos de idade. Mais bonito. Mais saudável. Mais rico. Porém, quando noto o que estou fazendo, me obrigo a perceber de novo quantas coisas eu alcancei. Não num sentido de competição onde eu fiz mais do que a maioria dos garotos de 23 anos, mas no sentido de que eu não tinha nada quando comecei a sonhar.

Largar a faculdade foi tão insano, amedrontador e preocupante como meu mais recente pavor de sair de casa. Para minha consciência atual, hoje, largar a faculdade foi o grande acerto, um pensamento que me faz lembrar que coragem às vezes parece insanidade. Mais para as pessoas que assistem do que para quem pensa, mas parece, sim.

Se não fosse por esse ato maluco, eu nunca poderia dizer que realizei todos os meus sonhos aos 23 anos de idade - e que ainda relancei um de meus livros, "Sobre garotos que beijam garotos", na XVII Bienal do Livro do Rio de Janeiro.

Não que isso seja importante. Não que eu precise tornar esse um título de admiração para que validem minhas criações. É apenas um marco. Compõe minha subjetividade, suporta os planos para o meu futuro e inspira novos atos de coragem confundidos com loucura.

Como falei na primeira linha desse post, houve paz depois que o terror de "morar 'sozinho' com meu namorado e melhor amiga/irmã mais nova" foi vencido pela rotina. Houve paz porque deixou de parecer loucura. Foi uma adaptação necessária para que eu aprendesse a sobreviver longe do cuidado materno, longe de um território seguro que determinei por ser tudo que eu conhecia até então.

Morar longe dos meus pais foi uma escolha que fez com que eu reavaliasse minha vontade de viver, me obrigando a sobreviver antes de mais nada. Está me ajudando a entender os afetos humanos e todas as nossas complexidades com mais paciência. Está me ensinando a ouvir novas falas, dando milhares de novas chances ao diálogo - comigo, inclusive.

O medo planta a busca pela segurança. É o que me faz trabalhar certinho para colocar meus negócios nos eixos, terminar meus livros, gravar meus vídeos e deixar toda minha arte a ponto de bala para que no próximo mês eu possa pagar as contas, comprar comida e fumar maconha sem (muito) pânico.

A paz, por outro lado, quando tudo está certo, quando o prazer se instala nas horas de trabalho (que de certa forma também é meu hobby), fica com sabor mais marcante. É mais honesta do que jamais foi e tão forte quanto a paz e satisfação de quando comecei a trabalhar com internet ou escrever meus primeiros livros antes dos 15 anos.

Eu saí de casa e passei a habitar uma propriedade temporária para aprender a criar o lar em mim através do quê e de quem me cerca. Através de quem sou e do que posso ou quero ser para mim e para esses que compartilham de mim comigo.

Agora, em vez de conclusão, eu tenho mais perguntas. As respostas, os enlaces, tropeços e vitórias só poderão ser vistos ou entendidos numa perspectiva maior quando o tempo se estender diante dos meus olhos.

Essa é minha maior aventura de todas. É daqui para cima.