Minimalismo: Como desapegar em 3 passos

Saiba como praticar 0 minimalismo nos objetos.


Se tem algo que eu faço bem é desapegar de objetos, mas nem sempre foi assim. Desapegar é uma prática que fui melhorando com o tempo na intenção de me tornar livre de tudo que me atrapalha a me tornar quem quero ser, ou de alcançar o que eu gostaria de alcançar.

Por isso acho que você pode usar as dicas que vou te dar para praticar o desapego de pessoas e situações também, não só para se livrar de objetos, então leia até o final e use seu bom senso pra entender direitinho o que vou compartilhar, tá bom?

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1. Pergunte o porquê

Antes de começar a se livrar das coisas, pensar no porquê de você querer se livrar dos objetos ajuda a direcionar sua atenção e energia pra tomar as escolhas mais conscientes, manter a motivação até o final do processo de libertação, e te impede de se arrepender depois.

Eu, por exemplo, escolhi ser minimalista pra enfiar minha vida e meu escritório numa mochila de 37 litros. Pra isso acontecer, precisei me livrar de roupas velhas pra manter apenas 14 peças versáteis e de qualidade, precisei ser criativo quando se trata de organização, e precisei digitalizar documentos, lembranças, e meus materiais de trabalho, pra guardar tudo em nuvem pelo Drive, da Google, ou pelo OneDrive da Microsoft, e ter acesso imediato usando meu smartphone ou notebook.

Escolhi passar por todo esse trabalho porque eu queria mobilidade fisica pra viver e trabalhar de qualquer lugar; queria ser consciente sobre meu consumo e utilização dos objetos; queria economizar dinheiro evitando ser manipulado pelas propagandas a comprar coisas novas; e porque queria focar na experiência de viver mais com menos, focando apenas no que eu gosto de fazer — não no que é necessário pra sustentar meu consumismo.

Definir como meu estilo minimalista me serviria em vez de apenas seguir regras ou modinha, me ajudou a me livrar dos objetos conforme os anos passaram, e a praticar o desapego com “auto honestidade”.

Hoje eu alcancei meu objetivo, e com exceção de obras de arte e um computador que estão guardados num depósito até eu ter uma casa fixa pra morar, tudo que preciso cabe na minha mochila. Tenho viajado pra cima e pra baixo carregando minha casa nas costas, tenho bem menos gastos do que no passado, e sou genuinamente mais feliz e adaptável por conta disso tudo.

Posso até dizer que possuir menos objetos auxiliou a combater minha ansiedade e consequentemente minha depressão, mas esse seria papo pra outro artigo.

2. Pare de adiar

Se você tem muitas coisas e não sabe por onde começar pra desapegar delas, ou sente aquele cansaço inexplicável só de pensar em organizar a bagunça, tente não perder tempo imaginando como o processo será longo ou cansativo, e comece já, ao menos por uma categoria de objeto — como roupas, livros e documentos —, ou por um cômodo da casa, um armário, ou sua bolsa de uso diário.

Há quem prefira tirar um dia específico pra fazer o faxinão de uma vez, e tem quem prefira fazer um pouco por dia, ou uma vez por semana, até terminar de decidir os objetos que vão embora e os que ficam, e eu acho que vai muito da energia que você tem disponível no momento pra encarar a arrumação.

Eu sou viciado em organização, então esse processo sempre foi muito gratificante pra mim — eu estava escolhendo os componentes da minha “vida perfeita”, sabe? É isso que você precisa pensar quando começar a desapegar das coisas — você tá escolhendo o que vai compor sua rotina; seu dia a dia daqui em diante; sua vida ideal.

Mas como escolher o que fica e o que vai embora?

Existem vários métodos pra saber o que ainda serve e o que não serve mais pra manter em nossas vidas, mas o que eu posso te falar é o seguinte:

A

Separe todos os itens em 4 categorias: “jogar fora”, “doar”, “vender” e “digitalizar”.

Na pilha de “jogar fora” você coloca todos os itens danificados que não servem pra uso de ninguém: nem seu, nem de quem você poderia doar esse objeto.

Em “doar” você separa tudo que ainda pode servir a outras pessoas, mas não pra você.

Em “vender” você coloca sua impressora, videogame, ou qualquer coisa que poderá ser vendida pra tu ganhar uns trocadinhos em vez de só doar ou jogar fora.

E em “digitalizar” você coloca documentos, papéis e fotos que precisam de cópias digitais pra você jogar fora, guardar, ou doar as versões físicas pra ter acesso a tudo através dos serviços de armazenamento em nuvem. Simples assim.

Ah, e pensar onde guardar cada coisa ajuda a ter consciência sobre a importância e utilidade do objeto no seu dia a dia. Se é algo que geralmente fica guardado num lugar de acesso difícil ou empoeirado, provavelmente não é útil pra você.

B

“Mas eu posso precisar disso um dia” será um pensamento tão constante na tua cabeça que vai atrapalhar sua objetividade e rapidez na hora de dispensar seus pertences, por isso vou te contar um segredo.

Se você não usa esse item há mais de 3 meses, é pouco provável que você precise dele num futuro próximo. E se precisar, existirão formas de recuperá-lo caso tenha doado ou jogado fora.

Especialmente quando doado, você sempre pode pedi-lo emprestado ou pedi-lo de volta na cara de pau, explicando o quanto precisa dele. Se jogou fora, é só pedir emprestado ou dado de alguém, ou comprar um novo caso pretenda usá-lo mais de uma vez daqui pra frente.

Mesmo que pareça consumo ou gasto desnecessário, ter de readquirir um objeto após sua iniciativa minimalista vai fazer você pensar com muito mais certeza sobre o custo-benefício-duração desse objeto ao comprá-lo dali em diante.

C

“Mas isso tem valor emocional” é outro pensamento que vai te impedir de desapegar de muitas tranqueiras.

Se você tem apego emocional a fotos, ou ao significado de algum presente que não tem utilidade prática no teu dia a dia, a melhor opção é digitalizar as fotos e usar o aplicativo Google Fotos ou o Fotos do iPhone pra acessá-las em qualquer lugar sem precisar carregar os 80 álbuns de fotos reveladas em 1930 por sua família.

Se o objeto não é uma foto, mas não é prático, e se possui algum valor que você pode converter em dinheiro ao vender, você pode tirar uma foto desse objeto pra nunca esquecer, e vender, doar ou jogar fora o presente físico de uma vez.

Uma foto basta pra memória ficar intacta, pode confiar em mim e experimentar.

D

A guru da arrumação Marie Kondo aconselha você a pegar num objeto e se perguntar: “Ele me desperta alegria?”.

É um bom jeito de manter apenas o que te alegra, mas acho que a gente tem o costume de se enganar ao “romantizar” o sentido traduzido dessa frase.

Eu prefiro perguntar primeiro: “ele é util no meu cotidiano? Quando foi a última vez que o usei?” — e por último eu pergunto: “ele me traz alegria ou problemas?” e aí eu tomo minhas decisões sem voltar atrás.

E

Outro método popular pra saber o que é útil ou apenas ilusão de afeto, é colocar os objetos que você tem dúvida se deve manter ou não, ou se tem valor emocional, numa caixa fechada e esconder essa caixa por 30 dias.

Você coloca um alarme na agenda pra daqui a 30 dias, e quando ele apitar, você descarta ou doa os objetos na caixa sem pensar duas vezes.

Se precisar de um objeto na caixa nesse período de 30 dias, é só pegar de volta, pois ele ainda é útil pra você — sem remorsos.

3. Quando comprar coisas novas

Quando for comprar coisas novas, se pergunte primeiro se essa coisa é extremamente indispensável — e depois se você o usará com frequência, ou mais de uma vez.

Mesmo que seja algo super legal, ou mesmo que você pense que comprá-la será uma oportunidade única porque jamais vai consegui preço igual, ou que te fará um bem danado, não acredite — só há espaço na sua vida pro que é essencial.

Só gaste dinheiro no que for de qualidade e que tenha versatilidade nos seus novos planos. Caso contrário, você não estará perdendo nada além de dinheiro se levar esses produtos pra casa. E o arrependimento será maior que o prazer super momentâneo de possuir uma “coisa nova”.

Num exemplo dramático, antes de eu praticar o desapego ou o minimalismo, eu vivia dizendo que se eu fosse assaltado, eu reagiria, porque meu celular era minha vida e eu não podia perdê-lo.

Uma vez minimalista, voltei a observar e abusar da utilidade e da qualidade dos objetos, mas eles voltaram a ser objetos; coisas.

Coisas podem ser recompradas. O tempo de vida, não.

Viver mais com menos me ensinou que o valor da felicidade não está na empolgação de comprar uma coisa nova, ou de ter a TV de última geração da LG.

Meu tempo de qualidade está nos meus relacionamentos com as pessoas; nas aventuras que compartilhamos juntos; e na minha satisfação de estar fazendo as coisas que gosto sem obrigações dispensáveis.

Perder um celular ou notebook num assalto ainda pode ser terrível pro meu coração — e pro meu bolso — mas estar vivo pra viver, que é de graça, acaba sendo muito mais importante.

Deixe as coisas voltarem a ser “coisas”. Deixe sua vida ser mais importante que essas coisas.

É exatamente pra isso que o minimalismo serve — pra te dar foco ao que realmente importa e te fazer parar de perder tempo com ilusões de competência. Ponto. ■

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