Histórias no Instagram e a morte da minha avó

Histórias no Instagram e a morte da minha avó

Entre os dias 26 e 28 fiquei com minha mãe na casa da minha avó, que morreu tem dois meses.


Minha avó, Marly — que você pode conhecer nesse documentário da Futura — é primeira pessoa próxima que perco subitamente; mas não foi a primeira vez que fui envenenado pelo luto: chorei por animais de estimação que foram mais próximos de mim que outros familiares humanos jamais puderam ser.


A sensação é de merda mesmo assim.


Herdei um anel sem valor pra usar num cordão, alguns comprimidos de Valium, e um MP3 player antigo de 1 GB — cheio de canções que baixei pra ela na época da compra do dispositivo, uma a uma, a milhares de anos atrás...


Fiquei um ano sem ver minha avó.


Quando fui encontrá-la, levei vinho branco, conversamos por horas e brindamos antes do almoço. Prometi que a levaria na praia de Grumari na semana seguinte, mas achei melhor deixar pro outro mês — pra esperar meu salário cair na conta e não estragar meus planos financeiros.

Ela morreu uma semana depois disso.


Nesse final de semana que passei com minha mãe na casa da minha vó, resgatei memórias passeando pelas praças em que brincava quando criança — e pude tomar cerveja como adulto, do mesmo jeito que minha avó bebia quando saía sozinha.


Pude chorar e sorrir em paz.


Fico feliz por compartilhar os episódios da série #EnriqueNômade ou Episódios da Vida

— pra congelar num retrato da história o que está acontecendo agora e nunca vai se repetir.


Queria ter descoberto isso mais cedo, mas sem querer parecer guru: tudo acontece exatamente quando tem que acontecer.


E pra gente que ainda tá vivo, as coisas vão continuar acontecendo. ■

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ENRIQUE 'SEM H' COIMBRA | 2020