Mantendo a cabeça fora d'água

Atualizado: há um dia

Tô numa viagem de ônibus do Rio de Janeiro para Florianópolis nesse instante, só para começar do zero com o último dinheiro que consegui poupar de uma fase da vida em que as circunstâncias estavam melhores…



Estou com 28 anos.


Não tenho família nem amigos por perto.


Tô escrevendo pelo celular porque meu computador morreu, e não tenho a segurança de um emprego fixo porque trabalho como escritor freelancer para sites, blogs e redes sociais.


O fim do casamento de 6 anos com meu melhor amigo me deixou mais solitário que quando eu era solteiro, e sinto que não tenho com quem contar além dos meus seguidores – que vira e mexe me tiram de enrascadas comprando meus livros, ou apoiando campanhas de financiamento coletivo que arrancam meus projetos do papel.


Às vezes choro na rua.


Às vezes penso que morrer seria mais fácil que continuar tentando fazer parte de uma sociedade que não está nem aí para mim.


Às vezes penso em ligar pro meu ex e dizer o quanto sinto falta de rir na companhia dele depois de um café da manhã reforçado.


Às vezes quero ficar bem, mas não sei como.


Hoje, tudo isso acontece às vezes, mas houve tempo em que eu sentia essas coisas todos os dias – o dia inteiro.



Os primeiros sintomas de depressão e ansiedade generalizada surgiram quando eu tinha 12 anos: pobre, já há 6 anos tomando conta de um pai doente que eu não admirava, enquanto minha mãe limpava banheiros para nos sustentar.


A solidão e o abandono que senti diariamente até poucos anos, eram frutos do meu tipo inseguro e ansioso de apego: abandonado por minha mãe biológica e com medo de minha mãe adotiva também me deixar, passei a fazer de tudo para agradar as pessoas e mantê-las “para sempre” ao meu redor.


Fazendo de tudo pelos outros, deixei de ser verdadeiro com o que eu queria das pessoas, da vida, e principalmente de mim – ser uma pessoa “perfeita”, passiva e agradável, era mais importante que ser feliz.


Essa crença limitante em que eu atendia as vontades dos outros por medo da rejeição e por carência, fez com que eu me sentisse no direito de exigir que as pessoas fizessem o mesmo por mim.


Com expectativas desse tamanho, é óbvio que me frustrei dolorosamente.


Virei vítima das consequências.



Deixei minha confiança e alegria nas mãos de agentes externos, e abri mão do poder de mudar antes de ter a chance de saber que eu tinha esse poder o tempo todo.


Passei minha adolescência em aplicativos de relacionamento esperando que cada novo namorado cuidasse de mim melhor que o anterior – que me salvasse da rotina difícil que eu empurrava com a barriga.


Ninguém pôde me salvar de nada.


Estavam todos esperando serem salvos também.


Aos 24 anos, meu maior pesadelo virou realidade: fui expulso de casa pela única família que tinha – pela pessoa por quem dediquei todo meu amor e um tempo que jamais vou recuperar…


E essa foi a melhor coisa que aconteceu comigo – mesmo que eu não tivesse condições emocionais ou financeiras de perceber esse fato na hora.


Da noite para o dia, eu não tinha mais família, mas também não precisava cuidar de ninguém além de mim.


Eu não tinha casa, mas podia morar em qualquer lugar que eu sonhasse.


E aos poucos, todas as possibilidades que eu só imaginava ter, ficaram próximas de acontecer.



Tive que cuidar da minha saúde mental e me curar da depressão.


Tive que aprender a enxergar o lado bom da vida e ser grato por tudo que aconteceu, principalmente o que aconteceu de ruim e me jogou para fora da zona de conforto mais desconfortável que eu poderia estar.


Estou com 28 anos.


Não tenho família nem amigos por perto.


Tô escrevendo pelo celular porque meu computador morreu, e não tenho a segurança de um emprego fixo porque trabalho como escritor freelancer para sites, blogs e redes sociais.


Mas estou vivo.


  • Vivo para assistir paisagens incríveis voando pela janela do ônibus.

  • Vivo para ouvir o pedido de perdão da minha mãe, e perdoá-la com meu amor intacto.

  • Vivo para trabalhar com o que amo, e construir uma carreira incrível aos poucos, em vez de escolher a segurança do tédio, das reclamações e das limitações de um emprego convencional.

  • Vivo para ler livros que transformam minha rotina.

  • Vivo para superar a preguiça cuidando da mente e do corpo ao meditar, comer bem, e sair para correr todos os dias.

  • Vivo para mudar todo e qualquer aspecto sobre mim e minha realidade.

  • Vivo para me amar como ninguém poderá me amar.



Não é porque as coisas estão difíceis que a gente deveria desistir de se salvar.


São esses aprendizados motivadores que adoro dividir com meus seguidores – quem, frequentemente, chamo de amigos.


Estou começando um ciclo novo, abarrotado de medos e esperanças, sozinho, num lugar desconhecido, sem nem metade das coisas que gostaria de ter alcançado.


Só que finalmente construí a prática de apreciar que tenho muito mais do que já tive.


Além disso, tenho exatamente o que preciso.


Tenho a mim.


E isso é tudo.


Com amor,

Coimbra 💘



  • Para saber como fiz para superar depressão sozinho, controlar ansiedade, e como mudar hábitos nocivos, apareça aqui no Blog do Enrique de tempos em tempos.





  • E quando se sentir só, participe do meu grupo no WhatsApp – sempre tem gente legal para conversar por lá.


Não esqueça que só se vive uma vez.


Não deixe nada para depois.


Mantenha a cabeça fora d'água.



298 visualizações3 comentários

Posts recentes

Ver tudo
0

ENRIQUE 'SEM H' COIMBRA | 2021

Facebook.png
Twitter.png
Instagram.png
Wattpad.png
Spotify.png